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Bloco de notas


          

 

Voltei para casa depois de um mês peregrinando por lugares ab-so-lu-ta-men-te diferentes em Sampa. De hospitais a Parada do Orgulho Gay, do MASP ao Mercado Central, do Trianon à Vila Maria. E muita avenida Paulista, Augusta e Oscar Freire, pra cima, pra baixo. Cheguei cansada à beça, dor na coluna ancestral, pele ressecadíssima do frio-calor-frio-calor incessantes, sono atrasado de anos e muita, muita fome. A aparência dizia o contrário porque ouvi muitos elogios. Talvez seja a restauradora fuligem que paira sobre a capital paulistana e que gruda nos poros, narinas, orelhas, cabelo e tudo o mais. Ajuda a hidratar. Mas só cheguei mesmo três dias depois, data em que reencontrei minha mala. Abusada, ela resolveu dar uma voltinha no Rio de Janeiro sem me avisar. Gastei horrores de telefone tentando localizá-la. O bom é que quase fiz amigos na Gol do Acre e Pernambuco, artifício que uso para evitar o burocrático caminha da “justiça”. Quase fiquei amiga também do pobre do pernambucano dono da mala que apareceu lá por casa. Deu tudo certo, foi só uma birra dela que voltou pra casa pianinho, pianinho, com uma aparência melhor que a minha...Qualquer dia desses, numa dessas viagens, me jogo na esteira junto com a Cássia, minha fiel companheira, que dessa vez nem foi tão fiel assim. Aliás, este é assunto para outro post. Por ora, só tenho vontade de deitar sempre que posso na minha cama, abraçar os meus, trabalhar e ouvir música. Uma delas quero cantar junto com vocês.

 


"Não vou viver, como alguém que só espera um novo amor

Há outras coisas no caminho aonde eu vou

As vezes ando só, trocando passos com a solidão

Momentos que são meus e que não abro mão

 Já sei olhar o rio por onde a vida passa

Sem me precipitar e nem perder a hora

Escuto no silêncio que há em mim e basta

Outro tempo começou pra mim agora

 É...mas tenho ainda muita coisa pra arrumar

Promessas que me fiz e que ainda não cumpri

Palavras me aguardam o tempo exato pra falar

Coisas minhas, talvez você nem queira ouvir"

 



Escrito por Golby às 16h09
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