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Bloco de notas


Doces mulheres

 

Para Tatiana, Andréa, Marcela, Elzira,

Dora, Ana Cássia e homens que adoram doce

  

 

Por favor alguém me ajude. Mulher e açúcar são quase uma coisa só? 

Quem pode me dizer o que acontece no corpo feminino, na alma feminina, no paladar feminino que justifique tamanha ingestão de açúcar?

Necessidade básica como sono, sexo e fisiologias?

Menos sono, sexo e fisiologias que açúcar, doce bem doce mesmo, chocolates,

besteiras, coisas que não se recomenda a crianças, hipertensos, diabéticos, obesos.

Dieta reprovada por todos os órgãos nacionais, internacionais de saúde humana, animal, vegetal e mineral.

Perdoem-me, mas açúcar é SEN-SA-CIO-NAL, como diria minha amiguinha Lola.

O doce em cima da mesa, todos em volta, os dedos em volta do doce, segurando, controlando

a ânsia dos compromissos diários, fobia social ou de prazos estabelecidos, da concretude da vida ou dos desejos reprimidos.

Quer saber? O açúcar nos tira o azedume das horas e a amargura dos olhos.

Ameniza a vontade de bater no pedreiro, nos cachorros, nos falsos e fofoqueiros, no menino malcriado e de sair

gritando nas ruas enlouquecidas puxando os cabelos pelo amor perdido, pela conta no vermelho, pela TPM,

por ter que ser forte, forte, cabra macho, sim senhor.  

Que se danem as taxas de glicemia.

Que se dane a silhueta. É tarde.

O açúcar já tá no sangue.

  

 

"Quando paro que olho as horas

Para o tempo que me olha

E espero ansiosa

Vou comendo a casa

Paçoca, suspiro, cocada, jujuba

Quindim, bombom, churros, bomba

E vejo o tempo parar

O tempo pirraça" - Vanessa da Mata (até ela)



Escrito por Golby às 17h49
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OUTRAS CONJUNÇÕES

 

Minha palavra não serve mais

Não surte efeito

Não nega mentira ou confirma verdade

Não consola, reage, comove ou corrompe

Não é do bem, nem é do mal

Minha palavra, esta, foi pulverizada

no blá, blá, blá dos dias comuns

(Inseticida mortal de sua existência)

PA_LA_VRA morta e enterrada

coberta de nojo e ódio e sarcasmo e vergonha

respondida com silêncio, descaso, indolência

 

Existe um mas...

Um sobretudo que tenta

E quem sabe, contudo, entretanto, todavia

 



Escrito por Golby às 18h00
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