Um ombro
O choro muitas vezes é a catarse. O choro pode ser um "olha pra mim". O choro pode ser triste e absurdamente alegre. O choro quieto liberta. O choro que ruge, efervece O choro na vontade também é intenso O choro fica guardado O choro sai brotando sem pudor O choro é teu, O choro é meu. E mesmo assim... O choro é estranho.
* Do fundo do coração espero que tenhas chorado.
Escrito por Golby às 11h39
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Doces mulheres
Para Tatiana, Andréa, Marcela, Elzira,
Dora, Ana Cássia e homens que adoram doce
Por favor alguém me ajude. Mulher e açúcar são quase uma coisa só?
Quem pode me dizer o que acontece no corpo feminino, na alma feminina, no paladar feminino que justifique tamanha ingestão de açúcar?
Necessidade básica como sono, sexo e fisiologias?
Menos sono, sexo e fisiologias que açúcar, doce bem doce mesmo, chocolates,
besteiras, coisas que não se recomenda a crianças, hipertensos, diabéticos, obesos.
Dieta reprovada por todos os órgãos nacionais, internacionais de saúde humana, animal, vegetal e mineral.
Perdoem-me, mas açúcar é SEN-SA-CIO-NAL, como diria minha amiguinha Lola.
O doce em cima da mesa, todos em volta, os dedos em volta do doce, segurando, controlando
a ânsia dos compromissos diários, fobia social ou de prazos estabelecidos, da concretude da vida ou dos desejos reprimidos.
Quer saber? O açúcar nos tira o azedume das horas e a amargura dos olhos.
Ameniza a vontade de bater no pedreiro, nos cachorros, nos falsos e fofoqueiros, no menino malcriado e de sair
gritando nas ruas enlouquecidas puxando os cabelos pelo amor perdido, pela conta no vermelho, pela TPM,
por ter que ser forte, forte, cabra macho, sim senhor.
Que se danem as taxas de glicemia.
Que se dane a silhueta. É tarde.
O açúcar já tá no sangue.
"Quando paro que olho as horas
Para o tempo que me olha
E espero ansiosa
Vou comendo a casa
Paçoca, suspiro, cocada, jujuba
Quindim, bombom, churros, bomba
E vejo o tempo parar
O tempo pirraça" - Vanessa da Mata (até ela)
Escrito por Golby às 17h49
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OUTRAS CONJUNÇÕES
Minha palavra não serve mais
Não surte efeito
Não nega mentira ou confirma verdade
Não consola, reage, comove ou corrompe
Não é do bem, nem é do mal
Minha palavra, esta, foi pulverizada
no blá, blá, blá dos dias comuns
(Inseticida mortal de sua existência)
PA_LA_VRA morta e enterrada
coberta de nojo e ódio e sarcasmo e vergonha
respondida com silêncio, descaso, indolência
Existe um mas...
Um sobretudo que tenta
E quem sabe, contudo, entretanto, todavia

Escrito por Golby às 18h00
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Medo é um sentimento tão subjetivo que não consigo, nunca fui capaz, de associar a alguma coisa que pudesse tocar.
Não sinto medo de agulhas, mas da doença.
Não tenho medo de ficar sozinha, mas de não ter com quem contar.
Não tenho medo das pessoas, mas de suas intenções.
Tenho medo de ratos. Mas não os bichos que correm nos esgotos. Os que me aparecem nos sonhos, imensos, com cara de gente, correndo atrás de mim.
Aos 6, 7, aprendi a nadar. Fui lançada na água e não tinha onde me agarrar. Fui até o fundo e empurrei o chão, impulsionando pra respirar. Aprendi uma técnica, mas não cedi ao medo. Nem aos que tentaram me impressionar.
Aos 9 anos era a primeira, da fila de meninos e meninas de todas as idades, a invadir a mata fechada. Nem cobras, nem cipó-de-fogo, nem espinhos, nem capivara. O meu medo silenciava diante da possibilidade de encontrar saci, espíritos da floresta que se esgueiravam por trás das árvores. É verdade, sentia o som da respiração. Minha e deles. Subia nos galhos mais altos das azeitoneiras, furava o pé, ralava o joelho e recebia o sal puro como remédio.
Mergulhava até nas poças que se formam em determinado trecho de riachos e igarapés, nas quais o fundo parece um tapete de lodo verdinho e lugar certo de bichos esquisitos. Mas tinha medo da chegada da noite, a incerteza da volta, muitas crianças, um pai embriagado e cantando boleros antigos. Gosto de boleros antigos.
Aos 14, ajudava a empurrar um Maverick da garagem até a rua (uma distância de 45 metros) em parceria com meu irmão para enfrentarmos, num sábado à noite, uma cidade movimentada e o som das discotecas. Nessa ocasião meu medo era de reprovar de ano. E reprovei.
Aos 17 conheci e enfrentei o mar. Fui além da arrebentação, nadei sob chuva e céu cinzento, sozinha, mar aberto. Voltei tranqüila porque o meu medo mesmo era de ir embora daquele paraíso.
Aos 21, 22, 23 os medos foram tantos que não ouso descrever. Só lembro que nesse período parti pelo mundo em boléias de caminhões que me levaram do Rio de Janeiro à Bahia, de São Paulo a Floripa, de Curitiba ao Rio. Na estrada conheci Dona Maria, “o sol na cabeça”. Na estrada conheci olhares maldosos e eu me sentia encorajada, sem um tiquinho de medo, protegida por um punhal de madeira escura feito pelos índios Karitiana. Nunca precisei usar, mas ele estava lá.
No Rio, onde morei, circulava bem à vontade pelos trajetos que escolhi naquela cidade maluca. Da Gávea ao Irajá, do Estácio à Barra, de Laranjeiras a São Cristóvão. Do Passeio a pé passando pela Glória até o Flamengo, até Laranjeiras. De carona ia parar em Lumiar, fazendo amizades pelo caminhos. Pessoas estranhas amedrontadoras, mas que não me assustavam em nada.
Com medo de encarar a sufocante cidade-redoma vim parar no Acre. Estrada afora eu vim bem sozinha. Medo mesmo só “de o cipó agarrar no meu tornozelo e eu não conseguir mais sair”. Essa situação estranha eu consigo visualizar, mas nunca o medo de aprender termos médicos e discutir em pé de igualdade com quem estudou uns 8 anos. Enfrentar dias sem dormir, fome, cansaço em nome de amor maior. Medo que eu tenho só coração de mãe entende.
Ah, sim, ia me esquecendo. Quando apanhava, podia doer o quanto fosse, não chorava. Mas me acabava em lágrimas quando a Narizinho voltava toda feliz pro Sítio depois de uma “aventura”. Sã e salva.

Escrito por Golby às 17h18
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Um dia eu sonhei que ser feliz era estar em frente ao mar
Deitar ali na areia fofa, andar e afundar o pé na areia molhada
Sentir o cheiro da brisa que traz gotas de sal e arco-íris
Contar as ondas que despejam algas marinhas e conchas e estrelas-do-mar
Desligar o tempo, rir de mim, olhar o infinito,
Ver o sol chegar e sair
Esperar a noite
E vibrar com o vento,
E ir ao contrário
Escalar as pedras
Quebrar as ondas e olhar a praia
Dar adeus
Mergulhar, prender a respiração, flutuar
Estar de volta e deitar ali na areia fofa
E sacudir a areia
Limpar os pés e estar em casa.

O mar está em mim. Amor perfeito. Eu sou dele e ele é meu. Onde quer que eu esteja, ele me acompanha. Me abraça e me diz calma, me dá colo, me obedece. Sorri, me perdoa e diz: vai, conta comigo. Erro e ele chora. Me descuido e ele surge. Amor perfeito.
Escrito por Golby às 16h41
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Ai um amor assim
Um desejo assim
Um cheiro, um arfar, um deslizar de mãos
Uma palavra boca a boca
Salva, ali, entre dois olhos
Falaria mais: de medos, projetos, neuroses, religião.
Falariam o silêncio, a pele, os pelos...
Respiração profunda.
"Acorda, vem ver a lua que brilha na noite escura".
Escrito por Golby às 18h01
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Moro no Acre há 15 anos, completados dia 6 de agosto. Sou de Rondônia e por incrível que pareça não tenho vergonha disso. Filha de pai mineiro e mãe paraense cresci numa família que sempre respeitou a singularidade das culturas de cada região, aprendizado que repasso aos meus. Conheci e morei em vários Estados brasileiros e nunca me senti uma forasteira onde quer que fosse, porque brasileira sou.
Não posso como jornalista e consciente da minha própria cidadania atribuir a uma população, a um povo, características tão sombrias como essas que estão sendo verificadas em Rondônia. Nem de longe sugerir que as más qualidades dos políticos de lá, que são de outros estados, sejam de responsabilidade do povo que os acolheram.
Gente sem escrúpulo existe, infelizmente, em todo o Brasil, em todo o mundo. Cedendo a todo tipo de corrupção. Na prática política temos mais exemplos pela exposição a que se submetem essas pessoas. Fico muito preocupada com a associação feita pela maior parte da imprensa: maus políticos X forasteiros. As comparações entre Acre e Rondônia vão existir sempre. Somos vizinhos. Deveríamos trocar mais figurinhas e não competir. Rondônia deveria ouvir as experiências do Acre e Acre, idem. Porque em Rondônia, tenho certeza disso, não tem apenas exemplos negativos, danosos. Temos muitos problemas iguais. Estamos na Amazônia e esse grande ponto em comum deveria ser motivo de debate contínuo e aproximação mais que necessária. Sou, portanto, rondoniana, sou acreana, mineira e paraense, sou brasileira.
“Somos pioneiros que, nestas paragens do poente, gritam com força: somos brasileiros!”
Escrito por Golby às 19h28
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Sem nada a dizer, por enquanto. Silencio, pois. Amanhã tem mais.

Escrito por Golby às 14h34
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Acordar no meio da noite e perder o sono. Procura que procura e nada. O tic-tac do relógio suave no início parece um badalar de sinos horas depois. O olho arde e a mente viaja. Um cochilo com um pesadelo no meio, parece muito ruim, mas pelo menos o sono chega. Acordo, o teto me vigia e eu passo a lembrar de coisas muito antigas que não me dizem mais respeito. Alguém vira na cama, reclama de frio, pede abraço...E o sono saiu atormentado gritando no silêncio da noite: que insônia, que insônia!!! Ainda bem que antes do amanhecer ele voltou cansado e sonolento, querendo rostos no travesseiro. Acordei antes do despertador tocar.
Escrito por Golby às 19h19
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"??????????????????????????? ???????????????????????????".
Escrito por Golby às 12h33
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Voltei para casa depois de um mês peregrinando por lugares ab-so-lu-ta-men-te diferentes em Sampa. De hospitais a Parada do Orgulho Gay, do MASP ao Mercado Central, do Trianon à Vila Maria. E muita avenida Paulista, Augusta e Oscar Freire, pra cima, pra baixo. Cheguei cansada à beça, dor na coluna ancestral, pele ressecadíssima do frio-calor-frio-calor incessantes, sono atrasado de anos e muita, muita fome. A aparência dizia o contrário porque ouvi muitos elogios. Talvez seja a restauradora fuligem que paira sobre a capital paulistana e que gruda nos poros, narinas, orelhas, cabelo e tudo o mais. Ajuda a hidratar. Mas só cheguei mesmo três dias depois, data em que reencontrei minha mala. Abusada, ela resolveu dar uma voltinha no Rio de Janeiro sem me avisar. Gastei horrores de telefone tentando localizá-la. O bom é que quase fiz amigos na Gol do Acre e Pernambuco, artifício que uso para evitar o burocrático caminha da “justiça”. Quase fiquei amiga também do pobre do pernambucano dono da mala que apareceu lá por casa. Deu tudo certo, foi só uma birra dela que voltou pra casa pianinho, pianinho, com uma aparência melhor que a minha...Qualquer dia desses, numa dessas viagens, me jogo na esteira junto com a Cássia, minha fiel companheira, que dessa vez nem foi tão fiel assim. Aliás, este é assunto para outro post. Por ora, só tenho vontade de deitar sempre que posso na minha cama, abraçar os meus, trabalhar e ouvir música. Uma delas quero cantar junto com vocês.
"Não vou viver, como alguém que só espera um novo amor
Há outras coisas no caminho aonde eu vou
As vezes ando só, trocando passos com a solidão
Momentos que são meus e que não abro mão
Já sei olhar o rio por onde a vida passa
Sem me precipitar e nem perder a hora
Escuto no silêncio que há em mim e basta
Outro tempo começou pra mim agora
É...mas tenho ainda muita coisa pra arrumar
Promessas que me fiz e que ainda não cumpri
Palavras me aguardam o tempo exato pra falar
Coisas minhas, talvez você nem queira ouvir"
Escrito por Golby às 16h09
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Então...
Estive na Paulista em vários momentos. Dois deles bem tumultuados e inversos. A Marcha para Jesus e a 10ª Parada do Orgulho Gay. Nada me impressionou. Nem a exposição do Degas que consegui ver em parte depois que minha anja Cássia quebrou meu óculos de revolta porque preferia ver as esculturas e eu as telas. Ela venceu e eu fui, enxergando menos, "apreciar" as esculturas de bailarinas e cavalos do Edgar. Os coelhos, gansos e pombos do Trianon fizeram mais sucesso com certeza. Encontrei pessoas de Rio Branco em Sampa, encontrei amigos bem antigos por aqui e parentes que não via há séculos. Viagem cheia de aventuras essa. Escrevo esse post em pleno jogo do Brasil. A partida é fraca e o futebol não tem mais pique de espetáculo. Quero minha casa, minha cama, meu filho, meu cobertor de orelha. Meu, meu, meu. Almocei hoje dois pastéis de feira e me dê por satisfeita. Minha linda filhinha não me deixa fazer nada do que eu quero e eu ao contrário...
É assim mesmo. O importante é que ela está bem. Amanhã iremos retornar aos médicos e espero em nome de Deus que eles nos liberem para voltar para o Acre. Amém.
Escrito por Golby às 13h55
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País desse com polícia virando bandido, bandido mandando em polícia
deputado chefiando esquema mafioso, servidor público se vendendo por
menos de 30 moedas...está aí: o MASP, museu que abriga um dos maiores e
mais importantes acervos de artes plásticas do país e que está com a fantástica
obra de Edgar Degas em exposição, ficou sem energia por
causa de uma dívida com a Eletropaulo. Os visitantes, paulistanos e
turistas foram salvos por um gerador. Esse mundo não é estranho?
Escrito por Golby às 18h06
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Ai Madonna mia, me redime de tantos pecados. Mea culpa, minha máxima e absoluta culpa querer tomar banho sozinha, dormir até um pouco mais tarde, dormir um pouco mais cedo, ter o direito de não abrir a boca pra repetir uma lista interminável de recomendações. Reconheço que peco quando quero ficar no trabalho até um pouco mais tarde batendo papo com colegas, trocando informações, rindo à toa. Que horror ter desejos tão profanos. Meu ombro se curva de culpa por ter que escolher entre ir no supermercado, no dentista ou chegar cedo em casa. Sinto que mereço a fogueira quando escolho uma camisetinha básica naquela famosa loja popular ou um lanche ocasional e não a locação de um game ou a bonequinha, tão necessários.
Madonna tu que és like a virgin, explica-me: como até tu consegue sentir tanta culpa e ainda contar isso a todo mundo? No dia que os meninos querem folga de mim, não deixo. Tenho medo e culpa de deixá-los sozinhos... Ai, mães, mães, tão insuportavelmente necessárias. Tem alguma por aí diferente?

Escrito por Golby às 15h12
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Se não pode lutar contra o inimigo, alie-se a ele. Observe-o. Talvez não seja não inimigo assim. Foi isso o que decidi fazer com as dificuldades que enfrento na vida. A velha receita de fazer limonada com os limões é tão simples e pelo que entendi, a mais sensata. Vou ver Degas.

Escrito por Golby às 10h04
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